sexta-feira, 20 de abril de 2018

Acordar

Não sei onde sobrevoam as palavras quando o caso momentâneo nos deixa vazios delas. Sinto, na pequena sensibilidade que tenho acerca do mundo que desconhecemos, que estamos todos a atravessar uma fase de provações. Pequenas ou grandes sinto serem às necessárias à evolução de cada um de nós. Nenhuma privação é fácil mas acredito que acontece por um motivo, que pode envolver -nos apenas a nós enquanto seres singulares ou arrastar -se aos que nos são próximos. 
Há uns dias atrás fui-me abaixo. Sim, é um direito que nos assiste. Acordei depois do meu filho me dizer que percebia exatamente os meus motivos e que podia imaginar a importância de o ter aqui comigo quando no céu estava o irmão. Sim, ele tem quatro anos apenas mas sabe ler nas entrelinhas do olhar da mãe.
Depois disto, que foi bem mais forte do que descrevi, resolvi ouvir o universo que me colocou aqui com outros propósitos que não os de desistir. Não posso: tenho tudo, não posso, os meus filhos escolheram a difícil tarefa de me ter como mãe, não posso, eles estão aqui enérgicos e felizes, em casa, debaixo da minha proteção. 

Não são dias para agradecer, são dias para acordar do estado de transe absurdo com que encaramos a vida. Seja qual for a caminhada que vos espera, têm sempre duas opções: desistir ou continuar. Continuar é muito mais difícil mas vemos o negativo dissipar -se muito mais depressa!

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