Querido filho,
Hoje escrevo -te para o destino que nos foi consagrado, esperando que, pelo caminho, não se estraviem as minhas palavras.. por aqui estamos bem, talvez eu nem sempre mas pelo menos tento. O mano pergunta muito quem são as pessoas que gosto mais no mundo e eu respondo: os meus três filhos. Ele ainda te chamou cá de baixo mas mesmo com muita força não respondeste ou não te ouvimos. Finalmente acabou mais uma festividade e o carnaval em especial tem uma alegria excessiva que ainda não foi este ano que ultrapassei, sobretudo sabendo que adoravas esta época, tal como eu.
Sei que estavas à espera que te escrevesse.. ouvi, vi e ainda coçaste a orelha como sempre fazias, à espera das minhas palavras.. se, como é habitual, querias ler o que tenho sentido, eu digo. Ando mais cansada que nunca, aquele cansaço emocional de fazer pelo mundo e também ter o direito de me ausentar. As pessoas nem sempre me entendem e pedem -me demasiado porque, eu sei, a culpa é minha que tenho testado os limites. Mas, por favor, parem de me exigir enfrentar sentimentos porque eu tenho o meu tempo, parem de me pressionar a aceitar porque eu chegarei lá ou não e por favor, parem de me analisar porque quem me conhece sabe que eu preciso de respirar e de uma almofada ou de um silêncio e nunca de um afastamento nem muito menos de uma cobrança.
Pronto, filho, se querias ouvir o que tenho sentido, é isto, revolta. Dou mas também tenho o direito de me magoar, de fazer as coisas ao meu ritmo e de ser menos forte do que esperam mas sou eu! Tenho em mim todo o amor do mundo e dou-o a todos todos todos mas estou cansada e posso estar magoada porque sou humana e preciso de mais sinceridade e calor e menos frieza.. porque o legado que me deixaste foi esse: amor! E quem não me sabe amar assim por favor respeite porque eu não sei ser de outra forma.. amo-te José e a TODOS