sexta-feira, 31 de março de 2017

Imagens

As palavras são marcas profundas mas, muitas vezes, acabam levadas pelo tempo. As imagens não.. há imagens que não esqueço e, por isso, apenas por isso, também não esqueci as palavras associadas a esse momento. Há imagens que vou levar até ao fim da vida e para o outro lado, seja lá onde for.. há imagens que são flechas no coração, que se passaram uma única vez mas condicionaram toda a vida.. e há uma imagem da minha vida que nunca queria ter permitido que os que mais amo vissem, sentissem..
Todos os que me conhecem pensam saber da minha história e dos episódios que a compuseram.. não.. há imagens que ficaram caladas em gritos dentro de mim. Há imagens que nunca ninguém vai saber que vivi. Vivi-as sozinha, completamente sozinha, porque só eu as podia ver. Guardo-as só para mim porque as imagens anteriores e até mesmo as seguintes já bastaram para eles. Estas são só minhas porque ninguém deveria vê-las.
Por isso, meus amigos,  vivam as imagens o máximo que puderem, viagem na vossa vida como se não houvesse amanhã. Fechem os olhos e busquem a imagem mais bonita que passaram.. enche o coração, não é? Por isso, a urgência de viver é fundamental, porque a imagem mais bonita pode ser substituída pela mais cruel.. e depois não estamos cheios, estamos vazios..
Já não fecho os olhos.. agora deixo-os bem abertos para sentir a felicidade na hora certa, no segundo exato. Mais que fechar os olhos e recordar, importante é abri-los e viver..

quarta-feira, 29 de março de 2017

Vazio

Vazio.. Vazio é ainda uma palavra que não consigo definir. Consegue-se explicar o que é saudade, o que é tristeza, o que é desilusão.. Mas vazio é um buraco que se estende no peito sem como nem porquê. Vazio é tudo o que fica depois de tudo morrer. E o vazio tem estágios: começa associado e despercebido entre os sentimentos anteriormente definidos, depois aparece do nada, isolado e muito escuro. Quem tem vida tem escolhas, quem a perdeu não sabemos para onde foi e nada traz mais vazio que a partida, porque é a única coisa que não podemos ter oportunidade de reverter, nem esperança de mudar.
Hoje, o vazio parece dilatado no peito e, por mais que se queira dissipar a neblina, não há forma de o deter.. está entranhado, está consciente da brevidade da vida, está  carregado de temor na inconsciência do futuro, que hoje é meu e num segundo pode deixar de ser. É... aprendi da pior forma que um segundo pode mudar muitas vidas..  num segundo tudo pode acontecer.. por isso gosto das horas que não se contam, que são menos pesadas a passar. Porque o tempo pára quando surge este vazio e a respiração parece deixar de fluir.. sim, há momentos na vida em que o oxigénio cessa e, quando regressa, fica a memória do que fomos, porque nunca mais o voltaremos a ser, apenas por culpa de um segundo..
Aproveitem o preenchimento do coração, pois nunca saberemos se um dia, um segundo o substituirá pelo vazio.. aquele que não se consegue definir senão olhando nos olhos de quem também já mudou a sua vida..
Felizes os que são ignorantes da importância dos segundos da vida..

quinta-feira, 9 de março de 2017

Nunca

Nunca mais ou nunca farei são expressões que todos nós, um dia, nos apercebemos que erramos ao dize-las.
Podemos atravessar os momentos mais difíceis e julgar que nunca mais os quereremos experienciar  ou podemos julgar a atitude do próximo e pensar que nunca fará parte das nossas ações. Não há erro maior do que julgar: julgar o amanhã, julgar o presente condicionando o futuro, julgar outra pessoa.. resultará quase sempre no erro crasso da pedra cair no nosso telhado.
Costumo dizer que nesta vida já tive duas vidas: uma até ao meu José, outra depois dele passar a esperar por nós noutro lugar.. no limiar dessas minhas duas vidas julguei nunca mais voltar a sorrir, sair de casa, trabalhar, ir a uma festa, ter simplesmente uma rotina.. Mas a vida avança e são as nossas escolhas que delimitam o nosso futuro. Em pequenos passos escolhi seguir em frente, sempre acorrentada ao passado mas com um pé no futuro. Tem sido uma longa caminhada mas uma caminhada que se constrói dentro de nós e lado a lado com os outros. Seja qual for a nossa fatalidade que nos impede de sermos felizes, o importante é permitirmo-nos dizer sim a nós mesmos, porque estamos vivos, porque não temos outra hipótese e porque o tempo passará muito mais depressa se nos permitirmos ser felizes.
O mesmo acontece com o julgamento do "eu nunca farei". Olhar a vida de alguém sob aquilo que julgamos ser real é muito fácil, mais difícil será saber como agir se a mesma situação se passar connosco. Vi mães como eu, noutros tempos, e julgava: se fosse eu nunca mais conseguiria viver, não conseguiria sequer passar pela exaustão de nada poder fazer por um filho. Mas não.. uma mãe vai até ao fim do mundo e, quando chega à meta e não tem mais por onde ir, continua a acreditar que para lá do mundo haverá outro desconhecido e poderemos ir ainda mais além. Quando tudo termina.. acreditamos que estaremos lá um dia, porque uma mãe esperará sempre pelo seu filho, neste ou noutro universo desconhecido, hoje ou daqui a vinte anos, mas sabendo que acreditar é o elemento fundamental para caminhar até lá..
Hoje estou aqui feliz com o mano e a mana, amanhã estarei completa quando te encontrar do lado de lá...