quarta-feira, 25 de abril de 2018

Filhos

Filhos: a decisão mais desejada, a recompensa maior e a tarefa mais difícil de se concretizar. 
Amamos tanto que pensamos estar sempre a errar, se precisamos sofrer não podemos transparece-lo, cada momento tem que ser mil vezes ponderado porque tudo o que mais queremos é que sejam felizes e vivam na sua pureza inocente até  o mundo lhes mostrar a vida real. 
Para mim, a vida real foi essa, a da doce e inocente infância onde julgava eu não era preciso haverem tantas lágrimas. No fundo ainda acredito nesse mundo e por ele vou lutar até já não poder mais. Porque estamos aqui para gerar sorrisos, não para viver para o trabalho, para as exigências e para o que desaparecerá assim que deixarmos de existir.
Ninguém me disse que ia ser difícil ser-se adulto e acho que por isso gosto tanto de ser criança e não deixar morrer os sonhos de pequenina. 

Tanto luto que por vezes arrasto quem menos merece mas eu só sou feliz se cumprir sonhos e rezo para que os meus filhos herdem isso de mim. Ter os pés no chão gera tudo menos alegria e por isso voem ainda que pareça ridículo ou que aquela obrigação fique adiada. As obrigações acabam por se conseguir realizar, já a felicidade amanhã pode ser tarde para recuperar...

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Acordar

Não sei onde sobrevoam as palavras quando o caso momentâneo nos deixa vazios delas. Sinto, na pequena sensibilidade que tenho acerca do mundo que desconhecemos, que estamos todos a atravessar uma fase de provações. Pequenas ou grandes sinto serem às necessárias à evolução de cada um de nós. Nenhuma privação é fácil mas acredito que acontece por um motivo, que pode envolver -nos apenas a nós enquanto seres singulares ou arrastar -se aos que nos são próximos. 
Há uns dias atrás fui-me abaixo. Sim, é um direito que nos assiste. Acordei depois do meu filho me dizer que percebia exatamente os meus motivos e que podia imaginar a importância de o ter aqui comigo quando no céu estava o irmão. Sim, ele tem quatro anos apenas mas sabe ler nas entrelinhas do olhar da mãe.
Depois disto, que foi bem mais forte do que descrevi, resolvi ouvir o universo que me colocou aqui com outros propósitos que não os de desistir. Não posso: tenho tudo, não posso, os meus filhos escolheram a difícil tarefa de me ter como mãe, não posso, eles estão aqui enérgicos e felizes, em casa, debaixo da minha proteção. 

Não são dias para agradecer, são dias para acordar do estado de transe absurdo com que encaramos a vida. Seja qual for a caminhada que vos espera, têm sempre duas opções: desistir ou continuar. Continuar é muito mais difícil mas vemos o negativo dissipar -se muito mais depressa!