Todos os anos, no Dia da Criança, não abdico de tirar o dia para os meus filhos só para vê-los sorrir e brincar.
Talvez quem me encontre pense: " que bom ela ter refeito a vida e estar ali assim tão feliz". Sim, é verdade.. refiz, sou feliz e agradeço o que tenho mas, especialmente este dia, não sei porquê, às vezes até mais que o Natal ou Dia da Mãe, vou para a rua por eles e apenas por eles. Porque neste dia travo na garganta todas as lágrimas que me apeteciam deixar cair e ponho um sorriso na cara por eles: filhos, sobrinhos e afilhados. É neles que penso. E, embora tudo me faça confusão: a música, a alegria excessiva, o amontoado de gente, as cores.. eu vou.. mas, no fundo, talvez até entenda o porquê deste sentimento neste dia.. porque, passe o tempo que passar, nunca vou entender porque podem estar todas as crianças ali, a sorrir e o meu José não.. o lugar das crianças é de mão dada com os pais, a correrem, a brincarem e a terem os melhores anos das suas vidas e nós devemos estar ali.. a assistir a cada minuto dessa etapa.. não.. não é ao céu que uma criança pertence.. e tudo pode ser difícil nesta caminhada mas aquilo por que ninguém espera é que se inverta a lei da vida.. não há justiça nem compreensão possível.. então dizem: aceita.. não.. quem diz aceita nunca viu a sua vida acabar e começar do zero numa mesma existência..
Hoje era aí, não sei onde, mas onde estiveres, que eu queria estar.. porque todas as mães, mesmo que privadas da presença dos filhos, deviam ter direito a abraça-los pelo menos um dia por ano, na terra ou no céu.. e eu escolhia hoje..
E, por favor, como dizia o nosso Raúl Solnado: "façam o favor de serem felizes"..
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