As mensagens de que vos falei anteriormente surgem assim, quando menos esperamos. Em jeito de confidencia com a M tudo se traduziu em algo superior, por isso digo tantas vezes que devemos dar especial atenção aos pormenores. Para mim, é essencial saber ouvir os outros porque, se me querem ajudar, é porque devo receber as suas mensagens, mesmo, como desta vez, essas mensagens me façam chorar muito e tiver que esperar 2 dias até conseguir partilhar convosco.
Comecei por desabafar acerca do dilema de qualquer mãe de segunda viagem que é o temer não amar tanto como na primeira vez. Só que connosco, que estamos longe das nossas estrelinhas, tudo ganha uma dimensão muito superior pois esse medo vem associado à injustiça que sentimos e à frustração enquanto mães. Afinal, acabamos por viver o terror que é sabermos que não vamos conseguir dividir os mimos, o ensinamento, a vida, como as outras mães de segunda viagem... e, pelo menos eu, acabo por carregar algum sentimento de culpa, uma culpa que daria tudo para não ter. E a amiga M disse uma coisa realmente importante que eu não me tinha permitido ver. Afinal, vou poder amar os dois com a mesma intensidade, só que um amo com a força do pensamento e o outro com a força do corpo... é lindo não é? E ambos com a força do coração... E como encaixa na perfeição para quem perdeu... quando o José "voou" , voei com ele, apenas fiquei a viver aqui, mas de modo automático e, uma das coisas que mais nos corroi dia a dia, é o não poder comunicar. Mas a amiga M mostrou-me uma forma. Pode parecer dura mas faz-nos estar mais perto quando nos começamos a habituar. Aprendo a falar com o meu amor todos os dias, como se ele estivesse noutro país distante, a cumprir a sua missão. Todos os dias de manhã "ligo-lhe" a desejar um dia feliz, com muitas brincadeiras e sorrisos, digo que tenho saudades, que gostava que estivéssemos mais perto mas que sei que ele está onde está certamente por uma coisa muito grandiosa, que tenho orgulho nele e mal posso esperar por reencontra-lo. À noite volto a ligar para perguntar como correu o dia, para lhe dizer como foi o meu e que tive saudades... e, como qualquer mãe que tivesse o seu filho longe, fazemo-nos de fortes, engolimos em seco e mostramos que nem temos vontade de chorar, o importante é que se eles estão felizes e sem sofrer, nós também devemos estar... porque os nossos filhos só estarão felizes se nos virem felizes também... podemos chorar, aliás, às vezes é inevitável mas devemos pensar que eles têm orgulho da mãe forte que conheceram e só estarão bem se nós também tentarmos estar... obrigada M...

Acredita que ele te ouve. Continua a tua jornada com muita luz e amor..
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