De qualquer forma qualquer palavra conjugada em texto será sempre a mais perfeita porque vos falo da minha história, melhor, na pessoa que me tornei depois do milagre de ser mãe.
Mas, antes de mais, defino-me em linhas breves, já proferidas anteriormente: Em todos os sonhos de nuvens cor de rosa, flores coloridas, palácios de cristal com que eu sonhava havia sempre um príncipe. Brincava e reproduzia esse sonho sempre que brincava com as bonecas. Depois cresci. Seria de prever que as histórias de encantar fossem utopias de criança. Mas não. Continuei a acreditar. Sempre dizia às minhas amigas que esse amor encantado era possível, sempre o dizia àqueles que estavam desiludidos com o amor... "o importante é que continuem à procura". Eu própria tive os meus dissabores, julgando serem esses os possíveis amores eternos. O facto é que se continuava à procura, o que talvez significasse que ainda não o tinha encontrado. Há 3 anos atrás, de olhos brilhantes, encontrei esse amor e nunca mais procurei outro porque a luz que nos unia não deixava espaço para mais dúvidas: acabara de ser mãe.
No final do ano passado o destino ou lá o que está reservado para nós aprendizes deste trilho inesperado que é a vida, fui confrontada com a pior dor de todas: a possibilidade, que se veio a concretizar, de perder aquilo que pensamos ser nosso por direito ou lei da vida, o amor da minha vida e filho, José. Perguntam-se vocês como conseguirei eu colocar isto por palavras. Não há resposta mais simples. Cansei-me de ver blogs, páginas, programas acerca desta tragédia, esperando eu encontrar algum tipo de resposta ou consolo. Apercebi-me que tudo o que existe ou consegui ter acesso tem um ar claustrofóbico de pesar, luto, tristeza e também me apercebi que nunca vou obter respostas nem curar aquilo que é como uma doença crónica, vou viver com isto para o resto da minha vida. Onde quer que o meu José esteja é o amor da minha vida, de deslumbre, de fascínio, de entrega total, de fazer tremer as pernas, de sorrir de alegria... por tudo isto e tanto mais nunca poderia continuar a servir-me de bengala estas visões sombrias que falam da dor de perder um filho. O meu José respirava alegria, achava que as birras eram um mundo desconhecido, espalhava amor e mimos por onde passava e de facto, eu vivia o meu mundo cor-de-rosa com ele. Com isto quero dizer que nunca poderei falar dele de outra forma que não seja a colorida, pintada de um arco-íris e eternamente grata por ser mãe, ser mãe e poder dizer que ali atingi o limiar da perfeição que é ser feliz. Sim, passava por tudo outra vez só para ter este meu amor. A minha maior recompensa de vida continua a ser ele, sempre será e acredito que ainda espalhe do céu pétalas de amor e brilhantes, raios de sol e borboletas. Tudo para colorir o meu jardim e poder viver...
Escrevendo estas palavras parecemos reduzir a violência que é alguém passar por isto, pareço passar por cima todas as lágrimas e pânico, luta e portas fechadas, terror e sobrevivência forçada... não, apenas desejo, do fundo do meu coração que alguém como eu possa sentir gratidão mais do que revolta, que possa sorrir porque se recorda de cada segundo com o filho e que estes presentes de Deus são luz, aqui ou no céu e, aconteça o que acontecer, é assim que devem ser lembrados, com a mesma entrega que nos deram, a mesma felicidade que nos fizeram transbordar e, para nos acalmar a dor, falar da perfeição de ser mãe, aqui ou no céu. Afinal de contas não deixei de ser mãe, sou e serei sempre mãe do meu José.
Talvez não acreditem ou pensem ser a minha forma de ultrapassar a dor no que vos vou dizer mas é verdade: recebo mensagens do céu das mais variadas formas e a criação deste blog foi uma delas. Contudo quero partilhar convosco uma das primeiras e a mais significativa. Há muita obscuridade e incapacidade de nos erguermos quando perdemos. Por vezes achei que até respirar me fazia doer e que nada me conseguiria fazer sobreviver a não ser voltar a amar da mesma forma. Eu e o pai Pedro, no desespero habitual que nos unia, chorando abraçadinhos, conversámos sobre a necessidade de amar. Como poderíamos continuar se não espahássemos tanto amor que estava guardado em nós? Prosseguimos com o sonho, um sonho que nao era só nosso, também o José, no hospital, na rua, sempre que via um bebé pedia para o levar para casa e, sem saber bem porquê, perguntava-me muitas vezes: o mano? Era nossa missão criar outro milagre da vida. Depois da primeira tentativa, eu e o pai Pedro, talvez induzidos pelo sentimentalismo inevitável, ou não, sentimos em consonância que o milagre se tinha concretizado, logo no primeiro instante. E depois do pai Pedro adormecer, chorei e falei com o meu José, pedi para que esta sensação de estar grávida à primeira tentativa, fosse verdadeira apenas se ele assim o desejasse, chorei e pedi para que fosse ele a escolher. No final do mês e apenas por mera prova prática (porque no fundo eu tinha a certeza que estava grávida), fiz um teste de gravidez que confirmou o milagre da vida e o presente do meu José. Marcámos consulta e o teste positivo ganhou forma de girino no aparelho médico mais desejado. Mas, se as provas de que era mesmo um presente não chegavam, tive mais ainda. A médica aponta a data prevista para o parto: dia 26 de Novembro, o dia do aniversário do Padrinho do José. E não ficamos por aqui... o Padrinho havia sonhado com a gravidez e o José e que a data do nascimento era a mesma que a médica acabou por confirmar... coincidências? Não... o meu José vive dentro de nós que o amamos... percebem porque este blog não pode ser escuro e triste? Porque o José só me deu alegrias...
Também sabia que tinha que ser um mano e nunca pensei sequer que seria menina... a verdade é que está a caminho mais um homem da minha vida... o Manoel, de diminutivo mano (do José) e de significado "Deus connosco".

Impossível não sorrir em lágrimas e ficar simplesmente sem palavras, tamanhas são as emoções que me invadem ao ler-te...
ResponderEliminarQue a vossa história e as muitas vindouras abrace em laços de Esperança e Amor todos aqueles que por algum motivo se sintam tocados por ela...
Ly*
Cresço quando te leio.. É entrar no Amor.. Que as tuas palavras transmutem corações e traduzam esta teia da vida humana, nesta passagem cuja venda nos ofusca o caminho.. Grata por abrires a porta..Lyou..Ana Lisa Mendonça
ResponderEliminarPaula, não te conheço pessoalmente! conheço a tua história e lendo agora as tuas palavras, entendo finalmente o porque e a razão do sentir de um um ser muito especial que é a querida Inês Infante! Bem haja e muita sorte. Muito amor divino. Sóis especial, muito especial.. Amei a escrita catártica e de algum modo acolhedora e protetora de tantas almas.....Somos amor, somos uno...Obrigada pela partilha!
ResponderEliminarLiliana Silva
Obrigada eu por existirem na minha vida e me ajudarem a espalhar amor, a ensinar que é essa a única via possível para a vida fazer sentido...
ResponderEliminarPaulinha,só hoje descobri o teu blog....obrigada por partilhares coisas tão tuas...
ResponderEliminarOlá! Estou agora a conhecer este blog! Eu também perdi o meu Filipe as 38 semanas de gestação. Doeu e continua a doer muito! Mas, sei que ele está por perto. Mostra muitas vezes a presença dele. Estou agora gravida de um novo bebé. A minha DPP é exactamente no dia 11, 1 ano e 2 meses após ele ter nascido. Esta é também, só mais uma prova que ele continua cá! Estou a gostar muito do seu blog!
ResponderEliminarOla Irene!Fico muito feliz por me ler e por podermos juntas ver que não somos a únicas... é por vocês, por nós, que tenho este blog... esse novo bebé vai renova-la, muito embora a dor que sente ande sempre lado a lado com essa nova felicidade... como é possível ter dois sentimentos tão distintos em simultâneo? ... um bjinho
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