sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Fui de ti...

Toda a gente espera que recomecemos, que se continue.. mas eu, José, não sou a mãe hoje que um dia fui contigo.. lembro-me de cantarmos alto no carro, correr à apanhada, rodar contigo no colo, adormecer olhos nos olhos, de fazer imitações de pura criancice.. com aquela alegria pura e genuína que vem do fundo de nós e sozinha, onde, naqueles momentos só existe vontade de rir e viver.. Hoje não sou essa mãe, embora brinque e me esforce, só que não vem do fundo.. vem sempre acompanhada de uma viragem, uma escolha que eu não fiz.. e me mudou para sempre.. só fui tua e se me vês daí penso muitas vezes que não me reconheces.. se existe mais para além disto eu vou voltar a ser eu quando te encontrar..
Talvez ninguém entenda.. só quem me reconhece nesta dor semelhante ou Deus que me viu renascer.. sim.. renascer.. porque eu, quem me conheceu desde sempre, sabe que não sou eu mas uma peça reconstruída, disfarçada e de sorrisos incompletos..
E talvez muitos se perguntem o porquê de muitas atitudes minhas ou ausências.. Não vos conseguirei explicar.. não foram eu.. não são eu.. duas Paulas.. duas porque quanto mais tempo passa menos me reconheço.. e até que gostava de mim.. porque era feliz.. feliz de dentro para fora..
Ainda bem José que me deste os manos de presente.. Ainda bem José que sempre me continuei a sentir mãe de três, ainda bem José que, por vezes, alguém me traz uma memória esquecida e eu posso revive-la como nova, um folgo, um sopro de vida..
Tenho saudades até ao infinito, mais ainda quando te senti aqui..

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